18 de mai de 2017

O Pássaro que caminhava

Este escrito faz parte de um processo constante de busca, ou seja, talvez não tenha um fim. 

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Sei que as dores machucam. Umas a curto prazo. Outras custam a vida para tornar possível o primeiro rastro de uma cicatriz. Não me refiro àquelas que, com um pequeno espaço-tempo, somem. A dor que é a perda daquela poesia com gênero peculiar ao jovem que, outrora fez-se presente entre beijos e abraços ao luar, por exemplo, destrói parte do poeta. Suas linhas perderam-se.
Sonhei ter sido um pássaro. Tenho pavor deles. No sonho, eu não levantava voo, simplesmente, caminhava. Que tipo de pássaro eu me tornara? Um pássaro que apenas caminhava e não batia as asas rumo ao infinito?
Meu pequeno e frágil peito doía a todo momento. À beira do penhasco, fito  a imensidão que é o mundo. Ele sabe que estou assustado e, ao mesmo tempo que parece dizer "FAÇA OU SOFRA!", mostra através dos seus sinais a capacidade que possuo para enfrentá-lo. Até a possibilidade de afogar-me nas suas águas.
O sonho terminava nesta fase brusca. Batia as asas, levantava voo e caía. Nunca imaginei que a dor  pudesse ser real. Depois de repetidas vezes entregando-se àquela loucura incessante, pude enxergar que aquilo não era um sonho. Tentei caminhar em direções distintas para fugir daquela água tão profunda e, sempre, voltava ao mesmo penhasco. Era ficar inerte ou buscar o porquê do existencialismo do meu ser.

2 de mai de 2017

Tempos modernos

Na realidade em que vivemos, 
Somos nós os tolos que morremos.
Na realidade em que vivemos, 
Na verdade, nunca vivemos. 

É tão difícil saber quando alguém é 
Realmente sincero ou bondoso, 
Quando a chuva não tem gosto, 
Quando o ofício do valor é mentir sobre tudo um pouco,
E um pouco sobre tudo. 

Diante de tanta mentira e egoísmo, 
Nos perguntamos quais são os sorrisos, 
De um homem que morre na praça no frio 
De inverno no outono, 
Do homem que vive com medo morrer 
Com um tiro nas ruas sujas da cidade. 
Das empresas que lucram sobre o coitado, 
Dos valores invertidos que abraça a sociedade. 
Da criança que chora sem ter o que comer, 
Daquele que vive diante de uma guerra, 
Onde o lema é matar ou morrer. 

Olha para os arredores e enxerga os males, 
O religioso sem metafísica, materialista. 
Também o sujeito tradicional, 
Preconceituoso, intolerante e racista, 
Sem ética e nem moral. 

O ódio que tomou o lugar do amor, 
Surge o homem invisível aos olhos dos direitos. 
Um estado que não é próspero nem legal, 
Do governo que deixa o rico mais rico, 
E o pobre mais pobre, 
A justiça podre, e a vingança nobre. 
Não quero mais viver sem antes dizer não. 
Dizer não ao que nos torna monstros e 
Menos humanos.


Rebeca Lima

15 de abr de 2017

O que você não olha?

Olhe para o céu, veja seu rosto, ouça sua voz 
Olhe para o céu, erga os braços, e abrace o que tens pela frente e não pare 
Olhe para o céu, seu caminho está se transformando em um único sentido. 
Olhe para o céu, perceba seu caminhar sem volta, o som dos passos e do piscar os olhos. 
Olhe para o sol e permita iluminar-se 
Olhe para o vento sinta-o sob a pele 
Olhe para terra, deixa-a lhe sentir 
Olhe para água, descubra seu semblante 
Sinta sua coragem, na medida em que seu coração pulsa.


Rebeca Lima

9 de abr de 2017

Estamos Morrendo

Parem! 
Vocês estão nos matando
Estamos nos matando
Estamos morrendo

Morrendo de medo
Morrendo de fome
Morrendo de guerra
Morrendo de morte
Precisamos parar

Parem, por favor
Antes que seja tarde 
Parem com esse horror
Bomba, tiro
Assassinato, suicídio
Em pleno século vinte e um
A crueldade virou comum

O caos é ignorado
Ninguém vê que é errado? 
Precisamos entender 
Parar com essa revolta
Vamos todos morrer 
Da morte não tem volta
E se morrer é o fim
Por que antecipar? 
Não precisa ser assim 
Temos que mudar
Somos todos humanos
Agnósticos, crentes, muçulmanos 
Fracos, fortes, ricos, pobres 
Dividindo um mesmo planeta, uma casa temporária 
Que vive em situação precária
Onde não existe mais humanidade 
Isso é pura insanidade
O mundo está com dor 
Por que estamos brigando?


Rebeca Lima



15 de jan de 2017

Falta de consistência e consciência

Escrevo como quem fala dormindo.
A poesia brota de algum lugar surdo, como o fundo de uma garganta, como um pedaço de inconsciência. 
Resultado: poesia inconsistente por natureza. 
Provoca estranheza, talvez, naquele que lê procurando respostas, procurando perguntas confeccionadas por uma vida significativa e por horas e horas de leituras filosóficas. 
Chega e acaba lendo bobagem. Bobagem quando é visto por fora, quando parece que não brotou de um ser humano, mas de um teclado que resolveu sortear palavras por diversão. 
Não é bobagem. Pelo menos não pra mim, por mais que seja frase balbuciada num estado anestesiado. 
Poesia bêbada, sonolenta, de fim de tarde, quando os pensamentos estão bagunçados. 
Poesia lógica é pra doutores de faculdade e advogados.
É rica, mesmo assim. Qualquer voz humana é válida. E significa algo. 
Daí a poesia tem duas partes: O mistério e a descoberta de significados...


Rebeca Lima